UERJ 2027 Artigo 1: A Memória como Ato de Resistência

 

Artigo 1: A Memória como Ato de Resistência

O livro de Marcelo Rubens Paiva é, antes de tudo, uma batalha contra o apagamento. Na UERJ, o conceito de Memória Coletiva é recorrente, especialmente quando associado a períodos de exceção, como a Ditadura Militar (1964-1985).

1. O Pessoal é Político

A obra narra o desaparecimento de Rubens Paiva em 1971, mas o foco não é apenas o crime de Estado, e sim como a família, liderada por Eunice Paiva, sobreviveu ao silêncio forçado. Para a UERJ, é fundamental entender que a memória individual do autor se funde com a memória histórica do Brasil. O ato de escrever o livro é uma forma de garantir que a verdade "ainda esteja aqui", resistindo ao esquecimento.

2. A Reconstrução do Passado

Marcelo utiliza uma narrativa fragmentada que alterna entre:

  • O Passado Traumático: A invasão da casa, a prisão de Rubens e Eunice, e a incerteza do paradeiro do pai.

  • O Presente Melancólico: O diagnóstico de Alzheimer de Eunice.

Há uma ironia trágica central: enquanto o Estado tentou apagar a memória de Rubens Paiva por meio da violência, o tempo tenta apagar a memória de Eunice por meio da doença. O livro surge como o suporte físico dessa memória que se esvai.

3. Direitos Humanos e o "Direito à Verdade"

Sociologicamente, a obra dialoga com o conceito de Justiça de Transição. A luta de Eunice para obter o atestado de óbito do marido, décadas depois do ocorrido, não era apenas burocrática, mas uma exigência de reconhecimento da dignidade humana.

Dica para o 1º EQ: Fique atento a questões que relacionem o texto a documentos históricos ou notícias sobre a Comissão da Verdade. A UERJ costuma cobrar a capacidade do aluno de identificar o papel das instituições (Estado, Família, Justiça) na preservação ou violação dos direitos civis.

Eixo de Análise para a Prova:

Se aparecer um fragmento do livro no 1º EQ, a pergunta provavelmente girará em torno de:

  1. Função da Linguagem: A linguagem emotiva versus a linguagem documental.

  2. Figuras de Linguagem: Metáforas sobre o esquecimento e o silêncio.

  3. Intertextualidade: A relação entre o destino da família Paiva e a história de milhares de brasileiros desaparecidos


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