Pretos e Pardos: O Segredo Político por trás da divisão.

Olá, estudante!

A identidade racial no Brasil é um território complexo. Se, por um lado, o país é conhecido pela miscigenação, por outro, essa mesma mistura se torna uma ferramenta de divisão política e social. O debate sobre a separação entre pessoas pretas e pardas é um dos mais urgentes no movimento negro, pois a resposta para a pergunta "quem ganha com a divisão?" pode revelar muito sobre o nosso racismo.

Com base na análise de Bianca Santana, vamos entender como as classificações raciais podem servir para ampliar direitos ou, de forma perigosa, enfraquecer a luta por eles.

Classificar para dividir: lições de outros países

O texto mostra que a criação de categorias raciais é uma estratégia utilizada em diferentes países para manter a desigualdade.

  • Apartheid na África do Sul: O regime criou a categoria "coloured" (mestiços) para que esse grupo não se organizasse com os negros na luta por direitos. Era uma divisão política.

  • Estados Unidos: A "regra de uma gota de sangue" classificava qualquer pessoa com ancestralidade africana como preta, negando a ela direitos de cidadania. O objetivo era manter o privilégio da branquitude.

Essa comparação nos mostra que as classificações raciais raramente são neutras. Elas são instrumentos políticos que servem para manter hierarquias de poder.

A realidade brasileira: o poder da união entre pretos e pardos

No Brasil, o último censo revelou que, somados, pretos (10,2%) e pardos (45,3%) formam a maioria da população, com 55,5%. No entanto, um olhar mais atento para os dados de renda revela que essa maioria compartilha um desafio comum.

  • Dados do IBGE: A renda média de pretos (R$ 1.750) e pardos (R$ 1.800) é praticamente a mesma, enquanto a renda dos brancos (R$ 3.100) é significativamente maior.

Esses dados do IBGE são a prova de que, na prática, pretos e pardos estão submetidos a uma mesma lógica de desvantagem social e econômica. A sociologia brasileira, por isso, unifica as duas categorias sob o termo "negro", que se tornou um conceito político de união na luta contra o racismo estrutural.

Quem ganha ao separar? A ameaça às ações afirmativas

A criação de um movimento que busca separar pretos e pardos levanta um questionamento crucial: a quem interessa essa divisão?

A resposta, como sugere o texto, está ligada às políticas de ações afirmativas. Medidas como as cotas raciais, que têm sido bem-sucedidas no combate às desigualdades, são uma ameaça à manutenção dos privilégios. A separação entre pretos e pardos poderia enfraquecer a base de apoio dessas políticas, fragmentando o grupo que mais se beneficia delas.

A identidade como ato político

A discussão sobre ser pardo, preto ou negro no Brasil não é apenas uma questão de autodeclaração; é um ato político. A miscigenação brasileira é uma realidade, mas ela não anula o racismo.

Entender essa dinâmica é fundamental para o Enem. A categoria "negro" é a chave para uma análise profunda, pois ela une experiências de opressão e fortalece o poder de uma maioria que, unida, pode lutar de forma mais eficaz por uma sociedade verdadeiramente antirracista.

Para usar os argumentos do artigo de Bianca Santana na redação do ENEM, você precisa transformá-los de dados e críticas em repertório produtivo. O texto é uma mina de ouro, pois oferece dados concretos do IBGE e uma análise sociológica que desmistifica o senso comum sobre a miscigenação brasileira.

Vamos ver como aplicar esses argumentos.

1. O Argumento da Desigualdade de Renda (com dados do IBGE)

O artigo mostra que a renda de pretos e pardos é praticamente a mesma e muito inferior à dos brancos.

  • Tese: A desigualdade racial no Brasil, longe de ser um problema de "cor", é um desafio estrutural, evidente na disparidade econômica entre brancos e negros.

  • Como usar no parágrafo: No seu desenvolvimento, use os dados do IBGE.

    • Exemplo: "Apesar da ideologia da miscigenação, a desigualdade racial no Brasil permanece evidente. Como demonstram os dados do IBGE de 2024, a renda média de pretos e pardos é quase idêntica (cerca de R$ 1.800), mas é significativamente menor do que a renda dos brancos (cerca de R$ 3.100). Essa disparidade mostra que a cor da pele ainda determina o lugar social, desmentindo o mito de que a miscigenação promoveu a igualdade."

2. O Argumento da Fragmentação Política

O texto aponta que a separação entre "pretos" e "pardos" é uma estratégia que enfraquece a luta antirracista.

  • Tese: O movimento que busca separar as categorias raciais no Brasil é um obstáculo para a luta por direitos, pois fragmenta a força política da população negra.

  • Como usar no parágrafo: Use a análise de Bianca Santana para sustentar sua tese.

    • Exemplo: "A fragmentação entre as categorias 'preto' e 'pardo' é, como defende a análise de Bianca Santana, uma estratégia que enfraquece a força política da maioria negra no país. Ao invés de reconhecer que a experiência de racismo é compartilhada, essa divisão impede a união de pretos e pardos na luta por políticas afirmativas e por mais representatividade."

3. O Argumento da Comparação Histórica

O artigo utiliza exemplos da África do Sul e dos Estados Unidos para mostrar que a classificação racial é uma ferramenta de poder.

  • Tese: As classificações raciais no Brasil, assim como em outros países, servem historicamente para manter hierarquias de poder e não para descrever a realidade.

  • Como usar no parágrafo: Use a comparação para dar um peso histórico e global ao seu argumento.

    • Exemplo: "A criação de categorias raciais no Brasil se alinha a uma lógica histórica de divisão política. Assim como o regime de apartheid criou a categoria 'coloured' para enfraquecer a união entre os negros, a tentativa de separar 'pardos' e 'pretos' no Brasil pode ser vista como um esforço para minar a luta por direitos, pois ignora que a discriminação é sentida por ambos os grupos."

Ao usar esses argumentos, você demonstra que é um analista crítico da sociedade, capaz de ir além do senso comum. Qual desses argumentos você acha mais poderoso para a sua redação?

Referência:

SANTANA, Bianca. Quem ganha ao separar pessoas pretas e pardas? Folha de S.Paulo, São Paulo, Coluna Bianca Santana, 31 ago. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bianca-santana/2025/08/quem-ganha-ao-separar-pessoas-pretas-e-pardas.shtml. Acesso em: 1 set. 2025.

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