Artigo 10/15: Ambição e Corrupção: Cláudio e a Crítica ao Poder Desmedido (Dica UERJ: Maquiavel e Teorias do Poder)
E aí, feras! Se o Hamlet é o herói filosófico, o Cláudio é o vilão que dá o plot twist. Ele é o verdadeiro motor da tragédia. Na análise política da UERJ, ele representa a ambição desmedida e a corrupção no topo do Estado.
O Poder Ilegítimo: O Rei Bandido
Cláudio não é um rei qualquer; ele é o Rei que cometeu o crime perfeito (fratricídio) para subir ao poder. Mas o poder conquistado na base da traição e da ilegalidade tem um preço altíssimo: a instabilidade e o medo constante de ser descoberto.
Ele vive num esquema de vigilância, usando o Polônio e até os amigos de infância de Hamlet (Rosencrantz e Guildenstern) para espionar. Ele é poderoso, mas vive com medo.
A pergunta que a UERJ vai te fazer é: O poder conquistado por meios criminosos pode ser verdadeiramente legítimo, ou a corrupção na origem está fadada a gerar a ruína do Estado?
Análise Literária: O Preço da Coroa
Cláudio é eficiente na política – ele assume o trono rápido, casa com a Rainha para legitimar a sucessão e tenta resolver as crises externas. Mas ele não consegue resolver o B.O. moral interno.
Ponto de Vista 1 (A Eficiência Cruel): Cláudio mostra que a política é pragmática. Ele garante a estabilidade do reino através da ação rápida. Para ele, o interesse do Estado (parar a crise) justifica o crime.
Contraponto (A Falha Humana): A culpa o consome, especialmente na cena da oração. Ele não consegue se livrar do peso moral de seus atos, provando que, mesmo para o mais cruel, a moralidade e a consciência são fatores políticos. A corrupção destrói a alma, e isso afeta o governo.
Conectando com a Ciência Política (Repertório Pesa!)
Aqui, a conexão é direta com os clássicos que definiram o que é o poder.
Ciência Política: A Lógica de Maquiavel
Conceito-Chave: Os Fins Justificam os Meios (Nicolau Maquiavel). Em O Príncipe, Maquiavel analisa como um governante deve agir para manter o poder, mesmo que isso signifique ser cruel ou imoral (melhor ser temido do que amado).
Aplicação na Redação: Diga que Cláudio é um príncipe maquiavélico. Ele age pela necessidade de consolidar o poder, e não pela virtude (ética). Ele comete crimes pensando no resultado político final (a coroa).
Dica de Ouro: Não diga que Maquiavel defende o crime, mas que ele descreve a realidade da política onde a moral é frequentemente ignorada em nome do poder. Cláudio é um exemplo prático dessa teoria.
Sociologia do Poder: Ilegitimidade e Queda
Conceito-Chave: Legitimidade do Poder (Max Weber). Como vimos antes, o poder de Cláudio é ilegal e ilegítimo. Ele nunca foi aceito pela tradição (o Fantasma) ou pelo herdeiro (Hamlet).
Aplicação na Redação: Argumente que a queda de Cláudio ao final da peça é uma prova de que a ilegitimidade na origem do poder cria uma falha estrutural. O assassinato corrompe a estrutura de Estado, e essa podridão se espalha até a destruição de toda a corte.
Resumo Rápido para a Redação UERJ
Tese Forte: O Rei Cláudio, em Hamlet, é o arquétipo do governante corrupto. Ele encarna a lógica maquiavélica (Ciência Política) ao cometer crimes para alcançar o poder. Contudo, sua ruína demonstra que a ilegitimidade e a corrupção geram uma instabilidade insustentável que, inevitavelmente, leva ao colapso do poder e do corpo social.
Repertório para Brilhar: Nicolau Maquiavel (O Príncipe) e a distinção entre "ser amado e ser temido."

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