Artigo 7/15: A Amizade Corrompida: Rosencrantz e Guildenstern e a Traição Institucionalizada (Dica UERJ: Sociologia da Burocracia)
E aí, galera da UERJ! Em Hamlet, a tragédia não é só sobre reis e príncipes, mas sobre pessoas comuns — ou, neste caso, os "amigos" Rosencrantz e Guildenstern. Eles são chamados à corte por Cláudio com a missão de espionar Hamlet.
A Tese: A Amizade como Ferramenta do Estado
Rosencrantz e Guildenstern são a face mais triste da corrupção em Elsinore. Eles não são ambiciosos como Cláudio, mas são conformistas e oportunistas. Eles trocam a lealdade a um amigo (Hamlet) pela promessa de prestígio e reconhecimento do Rei.
Eles representam a "burocracia cega" do poder: fazem o que o chefe manda, sem questionar a ética ou a moralidade da missão.
A pergunta polêmica para sua redação pode ser: A lealdade pessoal deve ser sacrificada em nome da ordem e da obediência a uma estrutura de poder?
Análise Literária: Amigos de Infância ou Agentes Secretos?
Hamlet percebe imediatamente o jogo. Ele os trata com ironia e sarcasmo, mas também com profunda tristeza, pois a amizade foi traída. Ele pergunta se eles foram chamados ou se vieram espontaneamente.
O papel deles é fundamental para o clima de paranoia da peça. Eles reforçam a ideia de que, na corte corrupta, não há laços sinceros, apenas relações de interesse e vigilância.
Ponto Chave (Lealdade ao Poder): Eles representam o indivíduo que escolhe a obediência institucional acima dos valores pessoais (como a amizade). Eles são funcionários, não amigos.
Contraponto (Consciência Ética): A história deles serve de alerta: a obediência cega pode levar à destruição. Hamlet os despacha para a morte, provando que a traição tem consequências inevitáveis.
Conectando com a Sociologia e a Ciência Política (Repertório Pesa!)
Aqui, vamos usar a Sociologia para analisar por que as pessoas traem seus valores em nome de uma estrutura maior.
Sociologia: A Burocracia e a Obediência
Conceito-Chave: Burocracia e a Jaula de Ferro (Max Weber): Weber alertava que a burocracia, com suas regras rígidas e hierarquia, pode aprisionar o indivíduo, forçando-o a cumprir ordens sem refletir sobre as consequências morais.
Aplicação na Redação: Diga que Rosencrantz e Guildenstern são mecanismos burocráticos do Rei Cláudio. Eles cumprem a função de "vigilantes" de forma mecânica, sem questionar o porquê ou o para quê. Isso reflete o perigo da desumanização em grandes organizações, onde o indivíduo abdica de sua moralidade em nome do "dever".
Ciência Política: A Vigilância e o Controle
Conceito-Chave: Poder Disciplinar e Vigilância (Michel Foucault): O poder, para Foucault, opera através de uma rede de vigilância constante, onde todos (inclusive amigos) são incentivados a observar e denunciar.
Aplicação na Redação: O uso dos amigos de Hamlet por Cláudio mostra o caráter insidioso do poder tirânico. Não basta a guarda real; é preciso corromper os laços afetivos para garantir o controle total. Você pode argumentar que, na era digital, essa vigilância se sofisticou, mas a traição da confiança e a obediência cega aos algoritmos do poder continuam sendo um risco social.
Resumo Rápido para a Redação UERJ
Tese Forte: As figuras de Rosencrantz e Guildenstern em Hamlet ilustram o risco da obediência burocrática cega (Weber). Ao sacrificarem a lealdade pela submissão ao poder (Cláudio), eles se tornam instrumentos da vigilância (Foucault), provando que a corrupção não destrói apenas a política, mas também os laços sociais essenciais à vida em comunidade.
Repertório para Brilhar: Max Weber (Burocracia) e Michel Foucault (Vigilância e Biopoder).

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