Artigo 4/15: A Questão da Aparência: Como a Manipulação da Imagem Pessoal Sustenta o Poder Político (Dica UERJ: Sociologia de Goffman)
E aí, galera! Sabe aquela história de "não é o que você é, mas o que você parece ser"? Em Hamlet, essa ideia é O JOGO. A corte de Elsinore é um gigantesco palco onde todos, especialmente Cláudio e Gertrudes, estão constantemente atuando.
A Tese: A Corte Como Performance
A essência do regime de Cláudio é a manipulação da aparência. Ele precisa parecer um rei legítimo e virtuoso para que seu crime (o assassinato do irmão) permaneça oculto. A corte está cheia de sorrisos falsos, discursos ensaiados e roupas de luto apressadas.
A aparência, portanto, é a moeda de troca do poder: ela legitima o ilegítimo e sustenta a mentira oficial.
A pergunta polêmica para sua redação pode ser: Em um mundo cada vez mais digital e focado na imagem (redes sociais, política), a aparência é apenas um artifício ou se tornou o elemento principal para a construção da liderança e da aceitação social?
Análise Literária: O Teatro da Realeza
Cláudio: Seu primeiro discurso (Ato I, Cena II) é uma obra-prima de manipulação. Ele fala da morte do irmão ("com tristeza alegre") e do casamento apressado ("com alegria pesarosa"). Ele está tentando passar uma emoção forçada para parecer equilibrado, mas Hamlet enxerga a farsa.
Hamlet: O Príncipe se recusa a atuar. Ele insiste em seu luto verdadeiro ("Parece, senhora? Não, é"). Ele critica aqueles que fingem sentimentos ("vestes da aparência"). Sua inação, inclusive, é uma forma de resistência à performance da corte.
Ponto Chave (A Fake News Presencial): A aparência é a primeira linha de defesa da corrupção. Ela cria uma realidade alternativa (o Rei é bom e o príncipe é louco) que a sociedade é pressionada a aceitar.
Contraponto (O Poder da Verdade): A peça A Ratoeira é a tentativa de Hamlet de destruir a performance de Cláudio. A verdade, ainda que através da arte, é a única força capaz de romper essa fachada.
Conectando com a Sociologia (Repertório Pesa!)
Aqui, vamos usar um dos sociólogos mais aplicáveis à vida moderna e ao teatro: Erving Goffman.
Sociologia de Goffman: A Vida Como Teatro
Conceito-Chave: Apresentação do Eu na Vida Cotidiana (Erving Goffman). Goffman compara a interação social a um teatro. As pessoas gerenciam a impressão que causam nos outros, atuando em um "palco" social.
O palácio de Elsinore é o "palco principal". Cláudio, Gertrudes e Polônio são os "atores" que usam "máscaras" e "figurinos" (a roupa de rei, os discursos formais) para controlar o público (a corte).
Aplicação na Redação: Diga que Hamlet é o estudo de caso perfeito para a teoria de Goffman. O poder de Cláudio se baseia na sua "gestão de impressão" bem-sucedida, mas que Hamlet, como um sociólogo observador, desvenda. Na redação, você pode comparar a corte shakespeariana com a política ou a vida em redes sociais, onde a "performance do eu ideal" é crucial para o sucesso e aceitação.
Psicologia Social: A Influência da Imagem
Conceito: A Percepção Pública é mais importante que a realidade factual. Se o público percebe o líder como forte e estável, ele é forte e estável para fins políticos.
Aplicação na Redação: Argumente que a sociedade moderna, assim como a corte de Dinamarca, é vulnerável à imagem superficial. A política se tornou um espetáculo (a Espetacularização da Política), e a aparência de competência muitas vezes substitui a competência real.
Resumo Rápido para a Redação UERJ
Tese Forte: A corte de Hamlet é um microcosmo da sociedade onde a manipulação da aparência (Goffman) é vital para sustentar a ilegitimidade política. O sucesso de Cláudio em encenar a estabilidade, mesmo sendo corrupto, comprova a fragilidade da percepção pública e sua vulnerabilidade à performance – um risco constante na política contemporânea.
Repertório para Brilhar: Erving Goffman (A Apresentação do Eu na Vida Cotidiana) e o conceito de Espetacularização.

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