Artigo 3/15: O Dilema Moral de Hamlet: Entre a Vingança (Ética) e o Cumprimento da Norma (Direito/Sociologia)


Artigo 3/15: O Dilema Moral de Hamlet: Entre a Vingança (Ética) e o Cumprimento da Norma (Direito/Sociologia)

Olá, futuro(a) universitário(a, vamos mergulhar no cerne da tragédia shakespeariana: o dilema existencial e ético de Hamlet. A UERJ valoriza a capacidade de argumentação sobre temas controversos; em Hamlet, a vingança é o nosso ponto de partida para um debate crucial.

A Tese: A Vingança como Motor e Obstáculo

O Príncipe Hamlet recebe a missão de vingar o assassinato de seu pai, o Rei. No entanto, o que deveria ser um ato direto de honra e justiça (pelo código de sua época e classe) transforma-se em um profundo conflito interno.

A grande questão para sua redação é: A busca por justiça individual, como a vingança, é legítima quando as estruturas legais falham ou é um ato bárbaro que perpetua o ciclo de violência?

Análise Literária: A Ética de Hamlet

Hamlet não age imediatamente. Sua hesitação é a chave. Ela revela um personagem que transcende o mero drama de vingança medieval. Ele se recusa a ser um mero instrumento de sangue. Sua reflexão existencial ("Ser ou não ser...") não é só sobre a vida, mas sobre o peso moral da ação. Vingar-se, para ele, significa mergulhar na mesma imoralidade (o fratricídio de Cláudio) que ele condena.

  • Ponto Argumentativo Central (Vingança Legítima): A ineficiência do Estado (o Rei Cláudio corrupto no trono) obriga o indivíduo a buscar a justiça com as próprias mãos.

  • Contraponto Argumentativo (Vingança Bárbaro): O Estado moderno (ou embrionário, como na Dinamarca) exige o monopólio da violência e da justiça para garantir a ordem social. A vingança privada é um retrocesso civilizatório.

Intersecção com as Ciências Sociais

Para sustentar seus argumentos na UERJ, é essencial mobilizar o repertório das Ciências Sociais:

Sociologia e Direito: O Monopólio da Violência

  • Conceito-Chave: Monopólio da Violência (Max Weber): O Estado (mesmo a Monarquia Dinamarquesa) reivindica para si o direito exclusivo de usar a força legítima. O dilema de Hamlet é que, ao vingar o pai, ele subverte a ordem estatal e age como um indivíduo fora da lei, mesmo que a lei esteja corrompida.

  • Aplicação na Redação: Você pode argumentar que a tragédia de Hamlet reflete a tensão entre as estruturas feudais (onde a honra e o sangue ditam a vingança) e as estruturas modernas (onde a justiça deve ser institucionalizada). A vingança de Hamlet é, sociologicamente, um sintoma de um sistema político em colapso.

Antropologia: Rito e Transgressão

  • Conceito-Chave: Estrutura e Antiestrutura (Victor Turner): A vingança de Hamlet é um ato de transgressão contra a estrutura social estabelecida (o reinado de Cláudio). No entanto, o próprio ritual da vingança (o fantasma, o juramento) pode ser analisado como um rito de passagem trágico para Hamlet, que o leva da passividade à ação, mas que culmina na destruição de toda a ordem.

  • Aplicação na Redação: A vingança pode ser vista como um rito de purificação arcaico que, na ausência de mecanismos legais eficazes, é o único caminho para restabelecer a honra, ainda que a um custo social elevadíssimo.

Prática para a Redação UERJ

Tema Sugerido: "Até que ponto a busca individual por justiça é justificável em um contexto de falência institucional?"

Tese de Apoio: A tragédia de Hamlet demonstra que, embora a falência institucional possa motivar a justiça privada, a vingança é um anacronismo que, por ser desprovida de limites legais, sempre resulta em caos e na perpetuação da violência, como comprova o banho de sangue final.

Repertório Sugerido: Citar Weber (Monopólio da Violência), Thomas Hobbes (Leviatã – o perigo do "estado de natureza") ou o conceito de justiça distributiva versus retributiva.



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