Artigo 2/15: A Tragédia Feminina em Elsinore: Gênero, Submissão e Agência em Gertrudes e Ofélia (Sociologia e Estudos de Gênero)

 


Artigo 2/15: A Tragédia Feminina em Elsinore: Gênero, Submissão e Agência em Gertrudes e Ofélia (Sociologia e Estudos de Gênero)

Prezados estudantes, uma análise aprofundada de Hamlet para a UERJ deve incluir a crítica social. Nesta aula, focaremos nas personagens femininas – Gertrudes e Ofélia – não como meros coadjuvantes da trama masculina, mas como reflexos das limitações de gênero e das expectativas sociais na corte dinamarquesa.

A Tese: A Ausência de Agência no Patriarcado

Gertrudes, a Rainha, e Ofélia, a amada, representam espectros da condição feminina em uma sociedade estritamente patriarcal. Ambas são definidas e confinadas pelos homens (pais, maridos, amantes), e sua tragédia reside, em grande parte, na ausência de agência autônoma e na pressão para serem meros instrumentos das ambições masculinas.

O Eixo da Redação: A marginalização da voz feminina é um elemento estrutural nas sociedades (da ficção à realidade), ou a submissão é uma escolha estratégica para a sobrevivência?

Análise Literária: Duas Vítimas da Corte

  • Gertrudes: É acusada por Hamlet de ser fraca e luxuriosa, mas é, sobretudo, uma rainha que prioriza a estabilidade política e o conforto. Seu casamento apressado pode ser visto como uma tentativa de manter sua posição em um ambiente de poder volátil. Sua agência é limitada à escolha entre dois reis.

  • Ofélia: É a vítima mais pungente. Ela é manipulada pelo pai (Polônio) para espionar Hamlet e é posteriormente rejeitada brutalmente por ele. Sua loucura e morte por afogamento simbolizam o esmagamento da identidade feminina diante da pressão e da traição dos homens em sua vida.

    • Ponto Argumentativo Central (Agência Feminina): Gertrudes, ao casar-se com Cláudio, exerce uma forma de agência política de sobrevivência, escolhendo o poder conhecido em vez da incerteza.

    • Contraponto Argumentativo (Vítimas do Patriarcado): A loucura de Ofélia e a passividade de Gertrudes demonstram que, em Elsinore, a estrutura patriarcal é tão sufocante que as mulheres são despidas de identidade e levadas ao colapso ou à irrelevância.

Intersecção com as Ciências Sociais

Para esta análise, a Sociologia e os Estudos de Gênero são indispensáveis:

Estudos de Gênero e Sociologia: Papéis e Estrutura

  • Conceito-Chave: Estrutura Patriarcal e Subordinação: A sociedade de Hamlet é um claro exemplo de patriarcado, onde o poder de decisão e a autoridade moral estão concentrados nos homens.

    • Gertrudes pode ser analisada pelo prisma da maternidade e conjugalidade como funções primárias.

    • Ofélia exemplifica a opressão por controle (o pai a usa, o irmão a adverte, o amado a destrói), culminando na perda total de sua identidade, que é metaforicamente lavada no afogamento.

  • Aplicação na Redação: Você pode utilizar o conceito de Divisão Sexual do Trabalho (Sociologia) para mostrar que, enquanto os homens lidam com a guerra e o Estado (os temas "nobres"), as mulheres são confinadas ao doméstico, ao emocional e ao simbólico, sendo facilmente descartáveis no jogo de poder. A loucura de Ofélia é o único espaço onde ela expressa sua verdade, um paradoxo trágico.

    Antropologia: O Status da Mulher

  • Conceito-Chave: Troca de Mulheres (Claude Lévi-Strauss): Em sociedades de parentesco forte, as mulheres são frequentemente trocadas entre famílias ou reis para selar alianças. O casamento de Gertrudes com Cláudio rapidamente "transfere" o poder e a continuidade da realeza.

  • Aplicação na Redação: Argumente que Gertrudes é, politicamente, um objeto de transação de poder, mais do que uma parceira. O casamento apressado solidifica a usurpação do trono, utilizando-a como garantia de legitimidade, independentemente de seus sentimentos.

Prática para a Redação UERJ

Tema-Gatilho Sugerido: "O confinamento aos papéis de gênero é uma realidade histórica que ainda hoje limita a capacidade de decisão e a liberdade de expressão das mulheres?"

Tese de Apoio: As figuras de Gertrudes e Ofélia, em Hamlet, revelam o caráter estrutural da subordinação feminina na corte, onde a agência individual é suplantada pela necessidade de conformidade aos papéis sociais, ecoando as lutas contemporâneas por voz e autonomia em um mundo ainda marcado pelo patriarcado.

Repertório Sugerido: Citar Simone de Beauvoir ("Não se nasce mulher, torna-se mulher") ou teorias feministas sobre a opressão sistêmica.


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